As sardinhas e bacalhau são a salvação do mundo!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico.     Dez. 6, 2004

Durante centenas de anos o bacalhau e as sardinhas têm sido considerados:  “comida dos pobres”. O bacalhau passou a ser chamado “ o Fiel Amigo” porque nas aldeias em Portugal Continental, principalmente no tempo invernoso, porque se podia conservar salgado, cozido com couves e batatas, satisfazia sempre uma boa ceia, quando era bem regado com azeite português.

E o seu valor nutritivo de proteínas, de vitaminas e vários metais, mantinham a nossa gente saudável e forte para as lidas árduas das terras difíceis de cultivar. As sardinhas mais pequenitas ainda tinham menos valor, principalmente quando apareciam nas mercearias das aldeias em barris, salgadas e amareladas e a cheirar a ranço!... Era preciso ter um estômago bem forte para as aguentar….

Mas o conceito depreciativo das sardinhas, pelas elites de Portugal, confirmou-se quando na Expo 98 em Lisboa, não foi permitido vender-se em lugar nenhum daquela exposição mundial, sardinhas assadas, a cheirar bem à portuguesa… Que pena!  

Os portugueses consomem por ano 275 mil toneladas de sardinhas! O povo português gosta bem de sardinhas, quer assadas, quer fritas. Para os portugueses podemos dizer que a sardinha é como se fosse um ‘hot dog’ para os americanos. Com a diferença que a sardinha faz muito melhor a saúde!  


Lata de sardinhas portuguesas 

Salvadores: sardinhas e bacalhau !

Dois cientistas, Dr. Scarla J. Weeks da Universidade de Cape Town, na Africa do Sul e o Dr. Andrew Bakun da Universidade de Miami, acabaram de publicar no “Jornal Ecology Letters” os resultados das suas pesquisas no Atlântico Sul, em frente a Namíbia,  sobre as consequências desastrosas para o ambiente  mundial da pesca excessiva  e devastadora das sardinhas naquela região. 

Para compreendermos melhor a descoberta sensacional científica destes dois investigadores, temos primeiro que saber como é que as sardinhas e o bacalhau se alimentam.

Existe à superfície de todos os oceanos uma camada esverdeada, chamada fitoplancton, como se fosse uma ‘camada de erva marina’, resultante da fotossíntese, tal como a erva que temos nos nossos quintais ou campos. Pois é desta “erva’, cheia de vitaminas e proteínas que o bacalhau e as sardinhas (e todos os outros peixes) se alimentam! É por isso que tanto o bacalhau como as sardinhas são muito boas para a nossa saúde por serem muito ricas em vitaminas, minerais e proteína e fazem baixar o colesterol mau!

Mas suponhamos que a pesca das sardinhas e do bacalhau se faz exageradamente, o que  é  que vai acontecer à  ‘erva dos mares’  ou ao fitoplancton?  Vai crescer em demasia – porque não existem os  peixes para a cortar, tornando-se pesada e assim vai  cair para o fundo do mar!

E o que é que vai acontece a essa ‘erva marinha’  quando  vai para o fundo do mar?!  Vai apodrecer!

A podridão da ‘erva marina’, ou fitoplâncton

As ‘erva marinas’ vão apodrecer como se fosse uma estrumeira no fundo do mar. Vai decompor-se em dois gases principais: metano, ou gás das cozinhas e sulfureto de hidrogénio ou ácido sulfídrico, ou gás dos ovos podres. Mas estes gases são venenosos! Todos nós sabemos que o gás das cozinhas mata! Mas estes dois gases também são venenosos para os peixes. O gás metano é vinte uma vez pior para o aquecimento da terra do que o anidrido carbónico!

Estes dois gases – metano e sulfureto de hidrogénio – resultantes da podridão da ‘erva marina’ no fundo do mar, originam bolas gasosas gigantes que depois vêem para a superfície do mar e rebentam como se fossem arrotos gigantes! No seu percurso, no meio das bolas gasosas os peixes são envenenados e morrem. E são estes gases que quando são lançados na atmosfera vão contribuir grandemente para o aquecimento e envenenamento da terra.

A pesca do bacalhau

Nos últimos anos tem havido imposições na pesca do bacalhau nos Bancos da Terra Nova e no próximo ano vai acontecer a mesma coisa nos mares do Atlântico Norte. Estas limitações de pesca têm sido impostas por causa da diminuição da fartura do peixe, neste caso do bacalhau, mas agora com a descoberta cientifica do apodrecimento do fitoplancton, por não haver bacalhau nem sardinhas para o cortar ecologicamente, é um facto ainda mais poderoso para que a humanidade controlar o limite as várias pescas.

Os portugueses têm que fazer também um estudo científico no Oceano Atlântico em frente à sua costa para saberem de certeza se devem limitar ou não a colheita das sardinhas. Os portugueses não podem medir este assunto pelo “golpe de vista” porque senão o conceito internacional irá tratar do assunto a sério.

 

Na Avenida da Liberdade, Coração de Lisboa, anúncio colorido à  Festa da Sardinha! 

 

As sardinhas reduzem o colesterol

Aqui está a descrição científica do valor nutritivo das sardinhas que é semelhante ao do bacalhau:

Para conhecermos bem os valores nutritivos e calóricos das sardinhas, vamos consultar o catálogo de alimentos "Nutritive Value of American Foods" (Valor Nutritivo dos Alimentos Americanos), publicado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que nos dá a análise de UMA sardinha do Atlântico, revelando as seguintes medidas:

Comprimento-- (da ponta da cabeça à ponta da cauda) = 18 centímetros (7 polegadas); largura 4 centímetros (no abdómen); largura no lombo = 2cm . 

Valores em gramas - Peso = 66 gramas; percentagem de água = 50,6%; calorias =135; proteínas = 15,8 gramas; gordura = 7,3 gramas; hidrocarbonados ou açúcares = zero; fibra = zero;

Valores em miligramas -- Cálcio = 287  miligramas; fósforo = 330 miligramas; ferro = 1,9 miligramas; sódio = 544 miligramas; potássio = 389 miligramas;

Vitaminas -- Vitamina A = 132 unidades internacionais; tiamina do complexo da vitamina B = 0,33 unidades. Internacionais: Riboflavina ou vitamina B2 = 1,3 unidades internacionais. Niacina do complexo das vitaminas B  = 3,3 unidades internacionais   e ainda a vitamina PP.

 

O que significam estes números?

Primeiro - metade do peso duma  sardinha é água; segundo -  tem poucas calorias porque não tem açúcar nenhum ; terceiro -  tem tantas  proteínas  como o bife; quarto -  é um peixe gorduroso, mas a sua   gordura é composta pelo ácido linoleico e ômega três; quinto -  é muito rica em cálcio  que evita a osteoporose; sexto -  é muito rica em fósforo, necessário para o bom funcionamento  do  nosso cérebro; sétimo -  é pobre em ferro, evitando os ataques do coração; oitavo -  tem uma quantidade de sal semelhante ao do  nosso sangue; nono - é muito rica em potássio, elemento muito necessário para a contracção  saudável dos músculos e do coração; décimo - é muito rica em vitaminas.

Porquê? Porque as sardinhas vivem muito à superfície do mar e alimentam-se do plâncton. E o que é o plâncton? É uma palavra grega que quer dizer "vida que flutua". Plâncton é um conjunto, um lençol flutuante, composto de seres orgânicos na maior parte microscópicos que flutuam nas águas doces e salgadas. Fitoplâncton se é vegetal - algas; zooplâncton se é animal - crustáceos e protozoas. A exposição do plâncton ao sol origina a concentração de vitaminas devido ao fenómeno da fotossíntese. Assim o plâncton torna-se um verdadeiro petisco para os cardumes das sardinhas. Quando navegamos no mar podemos observar a fluorescência da água devido à reflexão da luz nos seres vivos que compõem o plâncton.  

Devemos analisar ainda outro dado importantíssimo das sardinhas que é a sua composição em ácidos essenciais linoleico e ômega 3. Quais são os efeitos destes ácidos na nossa saúde? (1) Diminuem o colesterol mau no nosso sangue; (2) aumentam o HDL ou seja o colesterol bom; (3) diminuem os triglicerídeos (gorduras más); (4) aumentam a capacidade de exercício; (5) diminuem a agregação das plaquetas, portanto diminuindo os ataques cardíacos e as embolias cerebrais ou "strokes"; (6) suprimem a divisão das células cancerosas; (7) e a vitamina PP é essencial para permeabilidade dos vasos sanguíneos.

Quer assadas, fritas ou enlatadas as sardinhas portuguesas ainda tem mais outra vantagem quando são conservadas em azeite português - riquíssimo em ácidos não-saturados que fazem baixar o colesterol.  O azeite português é o melhor do mundo devido às azeitonas portuguesas estarem expostas a um maior número de horas-sol durante o ano. É por isso que Portugal se chama Lusitânia que quer dizer "Terra da Luz"!!!

Return