Entre os dois Compadres, Gaspar e Miguel

Por Manuel Luciano da Silva, MD

Assembleia Geral foi Cauboiada!

 

Miguel – Compadre Gaspar, já andamos mais de um quilómetro  a pé depois que saímos do hotel, o melhor é sentarmo-nos aqui num banco do Campo de São Francisco.

Gaspar -- Se não começar a chover outra vez.... O tempo aqui em São Miguel, muda de cara  muitas vezes por dia, mas ainda bem que a temperatura é sempre amena.

Miguel --  Diga-me, então as suas impressões sobre a Assembleia Geral do XXXI  Congresso  Internacional das Academias do Bacalhau realizado ontem na Universidade dos Açores.

G -- Quer que lhe seja franco. Foi um verdadeiro desastre! Nunca na minha vida  assisti a coisa tão caótica !

M – Concordo plenamente consigo.

G – Vamos analisar onde está o mal para que se evite tamanho desastre em  futuros Congressos. A cura é muito simples e radical. Quem estiver a presidir a Assembleia Geral tem que saber muito bem as regras parlamentares ou chamadas as Regras de Roberts. São as mesma regras parlamentares  usadas na Casa dos Comuns em Londres, no Congresso dos Estados Unidos e nas Nações Unidas. Tem que haver ordem, para haver respeito  e seguimento  nos trabalhos por muito controversos  que eles sejam.

-- Suponhamos que era o Compadre que estava  presidir à  Assembleia Geral, como é que fazia?

-- Primeiro dava as boas vindas a todos os Compadres e explicava-lhes a ordem dos trabalhos. Informava-os que tinham sido apresentadas à mesa vinte propostas. Portanto por uma questão de tempo,  teríamos que limitar, dedicar apenas  cinco minutos a cada proposta.  Mesmo assim iria levar cem minutos. Este tempo seria controlado por  um cronómetro.  

--Mas havia indivíduos que tinham apresentado, por escrito,  em bloco,  seis propostas.

-- Vocemecê está a adiantar-se muito, está já ficar fora de ordem... Vamos seguir as Regras de Roberts. Um indivíduo levanta-se, identifica-se e faz uma proposta. Esta proposta é repetida por mim, que estou a presidir, para que todos  ouçam bem a referida proposta. Eu na qualidade de presidente, pergunto, se há alguém que segunde esta proposta? Se não há ninguém que segunde a proposta, a proposta morre naquele momento. Não tem mais salvação.

--E se alguém secundar a proposta?

--Se alguém secundar a proposta, o presidente diz:  temos uma proposta que foi secundada. Vamos à discussão.  E a discussão durará cinco minutos. Ao fim deste tempo, eu como presidente peço às pessoas  que aprovam a proposta que se levantem e os votos são contados. Depois peço  às pessoas que são contra que se levantem e os votos são contados. E finalmente peço às  pessoas que se abstiverem  de votar para se porem de pé.  E estes votos também são contados. O Secretário da Assembleia Geral faz o balanço dos números dos votos e anuncia o resultado à Assembleia Geral e eu,  como presidente,   repito os números.  E pronto. Assunto resolvido! Uma coisa  que o presidente  tem que manter bem claro: durante a discussão qualquer interveniente só pode falar sobre aquela proposta e mais nada, doutra maneira, eu como presidente tenho que o mandar calar porque está fora de ordem.

--Mas não foi nada disso que aconteceu na Assembleia do XXXI Congresso.

--Pois não, infelizmente. O Compadre deve-se lembrar que logo no início da Assembleia, quando foi apresentada a primeira proposta, o próprio proponente começou logo  a discutir a  sua proposta!  Totalmente errado! O proponente devia somente ler a sua proposta e o presidente repeti-la e pedir se alguém secundava aquela proposta. Mas não!  O presidente da Assembleia permitiu a discussão livre, sem nem rei nem roca, ANTES da proposta ter sido  secundada,  dando origem a uma verdadeira anarquia!

-- Que diabo, o Compadre devia ter pedido um ponto de ordem!

-- Pois devia, mas confesso-lhe que eu fiz imediatamente o diagnóstico que aquela Assembleia estava infectada pela  Sida e não ia ter mais cura!

-- Foi por isso que se levantou e saiu?

-- Eu só saí, subrepticiamente, quando ouvi o Presidente da Assembleia Geral gritar: “Compadres, Comadres, eu proponho! ” Que  tolice, um presidente duma assembleia geral NÃO propõe nada! Tem que ser totalmente independente!

-- E  eu tive que ficar até ao  fim daquela cauboiada toda!

--Sabe que mais tarde falei com alguns Compadres que  não assistiram à Assembleia Geral porque já sabiam que iria sair uma “salada russa”, quando afinal podia ter sido uma reunião verdadeiramente democrática, com ordem e respeito!

 – Está a começar  a chover, vamos terminar esta discussão parlamentar. Mas diga-me, Compadre, suponhamos  que uma proposta depois de secundada, surge durante a discussão uma emenda?

--Nesse caso a emenda tem que ser secundada e posta à votação. Se houver maioria,  a emenda passa a fazer parte da proposta original, mas se a emenda não passar, mata  proposta  original porque neste caso não pôde ser posta à votação.

--Estas regras são afinal muito simples.

--Pois são. Mas cabe à Direcção Geral das Academias, ou da Academia Mãe, escolher um Compadre, venha ele donde vier, que tenha experiência em presidir a Assembleias Gerais em várias matérias para ser presidente da Assembleia Geral! Entre centenas de Compadres, existem indivíduos capazes de por em funcionamento as Regras de Roberts, para harmonia e satisfação de toda a gente!

--Como é que se  pode obter informação sobre as essas Regras  de Roberts?

      --Indo à Internet. Aqui está a chave para a website das Roberts Rules: 

http://www.robertsrules.com/

       -- Já chove da grossa. Corra, Correremos, para nos abrigar.

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