|
Entre os dois Compadres, Gaspar e Miguel |
Miguel – Compadre, diga-me lá, quando foi fundada a primeira Academia do Bacalhau?
Gaspar – Foi inaugurada no Dia de Portugal, 10 de Junho de 1968, em Joanesburgo, África do Sul, por um grupo de emigrantes portugueses.
Miguel -- E qual a finalidade de organizar uma organização com um título tão pamposo?
Gaspar – Os objectivos são bem explícitos, como podemos ver nos panfletos distribuídos pela Academia Mãe de Joanesburgo. Aqui estão eles:
Definição da Academia do Bacalhau:
É uma tertúlia de amigos, sem finalidades políticas, religiosas, comerciais ou lucrativas.
Objectivos:
1. Fomentar, encorajar e desenvolver laços de amizade, cooperação e confraternização, independentemente da posição social e grau de cultura de cada um.
2. Fomentar, encorajar e desenvolver relações de convívio e amizade entre as diferentes comunidades.
3. Fomentar, encorajar e desenvolver iniciativas que contribuam para a difusão da cultura e valores tradicionais dos países onde existam Academias.
4. Fomentar, encorajar e desenvolver a assistência moral e material a instituições de beneficência.
Miguel – Muito bem. Mas a nossa Academia do Bacalhau da Nova Inglaterra tem um Alvará diferente.
Gaspar – Não, os nossos objectivos são muito semelhantes aos da Academia Mãe. Nós fizemos a nossa incorporação dentro dos molde legais dos Estados Unidos da América para funcionarmos como uma Instituição de caracter não-lucrativo, portanto de Utilidade Pública. Repare que nesta altura não sabíamos do conteúdo dos objectivos da Academia Mãe. Aqui estão os nossos objectivos como aparecem oficialmente em inglês no nosso Alvará, com a data de 3 de Julho de 2000.
ARTIGOS DA CORPORAÇÃO:
PRIMEIRO: Promover um maior conhecimento entre o público de que o bacalhau é um dos alimentos mais saudáveis da Nova Inglaterra. Recomendar aos emigrantes portugueses para comerem mais bacalhau do que carne porque faz muito melhor à saúde.
SEGUNDO: Promover entre o público americano o facto de terem sido os marinheiros portugueses os primeiros a batizarem a Nova Inglaterra como "Terra dos Bacalhaus" or "Terra dos Corte Reais".
TERCEIRO: Promover também o facto histórico, devido há grande abundância de bacalhau nas águas marítimas da Nova Inglaterra, os primeiros pescadores portugueses começaram a chamar ao bacalhau: "fiel amigo" ou " true friend".
QUARTO: Promover o significado de amizade, baseado no símbolo de "fiel amigo" ou "true friend", entre os americanos, entre os luso-americanos, entre todos os portugueses que vivam noutros países, incluindo também a boa camaradagem entre as outras Academias do Bacalhau espalhadas pelo mundo.
Miguel – Os objectivos da Academia do Bacalhau da Nova Inglaterra prestam mais atenção ao valor nutritivo e saudável do bacalhau, não esquecendo também os objectivos sociais.
Gaspar – Na realidade os objectivos da nossa Academia vão mais longe, incluindo as várias gerações dos nossos emigrantes que vivem na América do Norte. Deixe-me explicar:
Quinto: Desenvolver entre os luso-americanos, seus filhos e netos o orgulho pelas suas raízes lusitanas.
Sexto: Envolvermo-nos em actividades de bem fazer, cultural e socialmente.
Miguel – Compadre, diga-me o que é que a nossa Academia de Bacalhau da Nova Inglaterra já fez para bem das nossas comunidades na Nova Inglaterra?
Gaspar – A nossa Academia está a fazer uma coisa original. Como sabe muitas organizações luso-americanas estão realizar obras de caridade, como dar cadeiras de rodas aos inválidos, a ajudar financeiramente a operações cirúrgicas em casos dramáticos e até a dar bolsas de estudos aos estudante universitários de origem portuguesa.
Miguel – Bolsas de estudo, parece-me uma boa idéia.
Gaspar – Não, a nossa Direcção resolveu, em ver de dar bolsas de estudo a meia dúzia de estudantes, decidiu dar bolsas de estudo a muitos milhares de indivíduos.
Miguel – Como?
Gaspar – Por minha experiência própria, porque já fiz parte de muitas comissões para escolher, entre dezenas de alunos, quais os que devem ser premiados com bolsas de estudo, tem-me ficado ultimamente um sabor amargo na boca. Os recipientes das bolsas de estudo não revelam gesto nenhum de agradecimento à organização dadora e às vezes nem se quer vêm ao jantar para receber o prémio e depois pela vida fora, não ligam absolutamente nada à organização que lhes deu a bolsa de estudo. Isto é um contra senso ao espírito de solidariedade que inspirou a angariação de fundos para custear as bolsas de estudo.
Por esta razão a nossa Direcção resolveu comprar centenas e estou certo que vão ser milhares de livros, em inglês a respeito da história e cultura portuguesas para oferecer às bibliotecas públicas, dos liceus e da universidades na Nova Inglaterra.
Miguel – Que grande idéia! Quer dizer que nós andamos sempre a dizer que os americanos não sabem nada sobre Portugal, assim desta maneira poderão ler na língua nata deles sobre a nossa terra e sobre a nossa gente.
Gaspar – Mais ainda mais. Estes livros em inglês sobre Portugal, Açores e Madeira, servirão também para os nossos filhos e os nossos netos, nascidos na América, poderem também ler nestes livros em inglês a respeito das suas raízes lusitanas.
Miguel – Repito, mas que grande idéia. E como estão a ser recebidos estes livros em inglês sobre Portugal nas bibliotecas?
Gaspar – Duma maneira impressionante! A Academia tem recebido cartas excelentes a agradecer as nossas dádivas e até alguns bibliotecários informaram que os livros que lhes mandamos, preencheram uma lacuna muito grande, porque não possuíam nenhuma informação sobre Portugal em inglês.
Miguel – Agora compreendo bem, Compadre, porque é que afirmou que assim a nossa Academia está a dar bolsas de estudo a muitos milhares de indivíduos, neste caso aos leitores nas bibliotecas públicas e aos estudantes liceais e universitários. Estamos a multiplicar as nossas bolsas de estudo por muitos milhares! Que grande idéia!
Gaspar—Que vamos falar no nosso próximo bate-papo?
Miguel -- Pode me explicar as Normas das Academias e seu funcionamento?
Gaspar – Combinado.