Fiel Amiga da Décima Quinta
Ceia de Bacalhau
Eulália Mendes, a Fiel Amiga da 15
Ceia do Bacalhau, 21 de Janeiro de 2002, Restaurante Riviera, East Providence,
E. U. A.
Apresentada
pelo Compadre Manuel Luciano da Siva
Na série de Fieis Amigos, nos só tivemos até
à data uma mulher, Emma Lazarus, poetiza que escreveu o soneto que está gravado
em bronze no pedestal da Estátua da Liberdade da Cidade de Nova Iorque.
Certamente lembram-se que ela era uma judia de origem sefárdica portuguesa.
Ela era sobrinha de Benjamim Cardozo que foi o melhor Juiz dos Supremo Tribunal
da Justiça Americana.
Sabemos também que a família Levy, também
sefárdica judaica portuguesa, foi dona do Monticello durante 87 anos e por isso
evitou que a famosa casa construída pelo presidente Thomas Jefferson fosse
destruída. )Esta descoberta foi feita pelo nosso Copadre Humberto Carreio=
Mas nós também temos um mau judeu sefárdico
português na História Americana. John Wilkes Booth, que era no seu tempo um
actor de teatro muito famoso e que assassinou o Presidente Lincoln, no dia 14 de
Abril de 1965.
Hoje queremos dedicar a nossa homenagem de
Fiel Amigo a outra mulher luso-americana: Eulália Mendes, que nasceu em
Gouveia, Beira Alta, Portugal Continental. Ela veio para New Bedford ao 5 anos
com a mãe e os irmãos para se juntar ao pai, mas como o pai não ganhava o
suficiente para alimentar a família regressaram a Portugal. Passado algum tempo
voltaram outra vez à América.
Eulália frequentou as escolas New Bedford e
depois quando adulta empregou-se numa das fabricas téxteis da cidade. Era uma
mulher cheia de energia e talvez por isso tornou-se lidadora nas greves contra
as 73 fábricas téxteis que existiam me Fall River. Ela tornou-se uma verdadeira
heroina dos grevistas. Mas os trabalhadores perderam a batalha e as fábricas
fecharam. A Grande Depressão tinha começado na América.
Entretanto a Eulália casou-se com um
luso-americano de nome José Figueiredo que era membro do partido comunista.
Desde esta altura a nossa Eulália nunca mais teve paz. Os Serviços de Imigração
Americana e mais tarde as investigações dirigidas pelo Senador McCarthy
perseguiram-na ao ponto de coordenarem evidência para a deportar. Ela não
quis ir para Portugal com medo que o Salazar a mandasse para o Tarrrafal em
Cabo Verde. Foi então deportada para a Varsóvia, Polónia, juntamente com outros
comunistas exportados.
Tinha 43 anos quando chegou à Polónia. O
Governo Comunista Polaco colocou-a trabalhar nos serviços internacionais da
rádio porque ela falava bem o inglês. Não falava nada de polaco e entretanto
perdeu o português.
Antes de ser deportada ela demonstrou que
gostava muito da América tentando até alistar-se nas Forças Armadas
Americanas, mas foi sempre recusada.
Em vários documentários produzidos pela Rádio
Televisão Portuguesa e vários artigos em jornais ela tem sido apresentada como
uma verdadeira heroina da emigração portuguesa. O Governo actual de Portugal já
a convidou para regressar a Portugal, mas ele recusou pela sua idade e por
razões de saúde. Ela tem agora 92 anos e vive numa casa de velhinhos em
Varsóvia.
Ela quis vir aos Estados Unidos para visitar
familiares, mas a Imigração Americana nunca lhe deu autorização.
O nome Mendes é um nome típico judaico
sefárdico português. As vilas e cidades ávolta de Gouveia ainda tem vestígios
dos judeus sefárdicos portugueses. Se a Eulália tivesse ficado nas montanhas
da Serra da Estrela certamente que não teria sido apanhada na rede dramática da
emigração.
Ser-se emigrante é muito doloroso! Agora o
povo de Portugal emigra em números muito pequenos porque o nível de vida subiu
muito. Ainda bem. Portugal já não precisa de exportar mais Eulálias. Isso é bom
sinal.
Se algum dia visitar o Norte de Portugal não deixe de visitar Trancoso e Belmonte onde encontrará sinagogas e ainda gente que reza á maneira sefárdica portuguesa. Eles não compreendem as orações que fazem -- eu verifiquei isso pessoalmente – mas continuam com a sua fé judaica transmitida de geração em geração.